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sábado, 28 de setembro de 2013




SOMENTE EM CRISTO DEUS PODE SER DISCERNIDO COMO AMOR


Não é possível conhecer a Deus em um vínculo de confiança sem iluminação da Graça.

Na Natureza... em toda a sua grandeza e maravilha... se pode conhecer — pelas impressões causadas pela beleza, pela harmonia, pela complexidade simples, pelo estranho testemunho do Existir das coisas — a certeza de que Deus é impossivelmente necessário ao sentido do Universo.

Porém, pela Natureza, chega-se apenas ao “crer em Deus” como Algo, não como Alguém que é Amor.

A Natureza dá testemunho esmagador de Deus como Necessidade ao Sentido do Existir. Mas dificilmente alguém vai além disso...

Por isto as crenças em Deus que não vêm da Revelação de Deus sobre Si mesmo não passam do Fato/Fator/Deus.

Sim, pois como aos sentidos humanos a Natureza parece ser Impessoal, o máximo que se depreende de tal encontro com Deus na Natureza leva a mente humana ao mais puro budismo, mas não cria a consciência de que Deus é Pessoa, é amor.

Como diz Paulo em Romanos 1 [...] a Natureza tem o poder de acabar com a idolatria de si mesma quando se a percebe como criação divina. No entanto, tal percepção não enternece ninguém, sem uma revelação adicional e pessoal, ao ponto de conduzir alguém a um vinculo com o Alguém/Amor.

Daí a revelação de Deus aos Hebreus ter sido tão especial e divina. Sim, pois onde quer que a divindade seja uma pessoa, em geral surge o politeísmo como decorrência da pessoalidade do divino.

Um só Deus e que seja também Pessoa absolutamente Única e Amorosa em Verdade e Justiça Misericordiosa e Imparcial, somente nos alcança se algo para além de nós mesmos se manifestar.

Do contrario, na ideia da divindade pessoal surge a pluralidade que decorre da projeção das nossas pessoalidades, e, assim, Deus se torna deuses...

Sem a revelação de Deus sobre Si mesmo, toda ideia humana sobre um deus/pessoa conduz invariavelmente à idolatria das pessoalidades tão múltiplas quanto as nossas projeções dos humanos, surgindo assim os deuses de projeções de pessoalidades.

Daí tais deuses serem sempre iguais a nós, carregando nossas ambiguidades e ambivalências...

Quando chegamos a Jesus — Eu e o Pai somos um — temos algo tão para além da compreensão..., que não nos é possível compreender por meios próprios. Sim, por todas as razões DEUS EM CRISTO é um absurdo, mas, sobretudo, pelo fato que Esse que Encarna Deus, Ama com uma paixão sem romance; ama em espírito, a tal ponto que Nietzsche disse ter lido os Evangelhos e não ter encontrado alma humana em Jesus, posto que buscasse também a projeção do humano, conforme ele, Nietzsche, entendia o homem a partir de si mesmo...; e, por tal olhar, ele não encontrou em Jesus o que julgasse que seria uma alma, ou seja: a passionalidade e a parcialidade do amor conforme nos humanos.

Entretanto, até mesmo olhando para o Jesus da História, não se encontra Deus, mas a beleza do Homem, do Filho do Homem.

É a revelação direta do próprio Deus ao coração humano, de modo a não ser explicado, o que pode trazer-nos ao entendimento que transcende as lógicas, e, assim, gerar a certeza de que Deus estava em Cristo.

Sim, somente assim Jesus vai além do Filho do Homem e chega a ser para o homem o Filho de Deus, na perspectiva de que o Pai e o Filho são Um.

Entretanto, crer no Filho do Homem, segundo Jesus, põe aquele que assim veja a Jesus [...] no Caminho de abraçar o amor de Deus no amor que devote aos humanos, e que fará aquele que assim haja na vida um dia ouvir: “Entre, bendito do meu Pai, pois tive fome e me deste de comer”...

Nesse caso, a imanência de Deus no Filho do Homem leva o homem a transcender na pratica da imanência do amor do homem pelo homem, na vida.

Quando, porém, se discerne Deus em Cristo, se transcende num nível de consciência e deliberação lúcida que gera intimidade relacional com Deus.

Assim, sem humanidade de Encarnação, é impossível aos humanos discernirem qualquer coisa do amor de Deus na perspectiva de que Deus é Amor.

Sim, pois mesmo na Antiga Aliança, a ênfase não era no amor de Deus, mas sim na Sua Justiça e Verdade.

É em Cristo Jesus que Deus é Amor, e tudo mais decorre desse Amor!

É também no mistério da fusão de Deus no Filho do Homem e no Filho de Deus, que Deus é amor para nós, e sem lugar para a idolatria, por mais próximo do humano que tal fato faça Deus se tornar.

É a revelação da Absoluta Singularidade de Jesus o que acaba com a idolatria.

sábado, 20 de julho de 2013




CULPA E MEDO X GRAÇA E PAZ

A culpa habita a essência humana.
A força que moveu a humanidade, mais que qualquer outra, foi a culpa.
A culpa vem da primeira transgressão.
Uma coisa é conhecer uma Lei—“Da árvore do Conhecimento do Bem e do Mal não comerás; pois se dela comeres, morrendo, morrerás”. Outra é conhecê-la como transgressão.

O Conhecimento Informativo não gerou culpa, nem vergonha, nem medo, nem fuga.
Mas quando o “fruto” foi comido, tendo antes aberto o apetite de modo alienígena...era como o gosto de “pular a cerca”...despertando também os sentidos estéticos...pois o fruto era belo de se ver...e criando uma ambição de auto-divinização...ser como Deus...conhecedor do Bem e do Mal...ah!...então, veio o conhecimento da Lei...e tal conhecimento é sempre experiencial.

Somente a transgressão à Lei dá conhecimento dela, pois a Lei só se faz conhecer como culpa ou medo.
É dessa culpa essencial que procedem todas as neuroses humanas.
E como o sexo é o clímax de toda experiência sensorial que os humanos podem ter...então, ele foi o ponto de convergência de quase todas as neuroses.
“Vendo que estavam nus, fizeram para si coberturas...cintas de folhas de figueira”—foi como a culpa primeiro se expressou: como negação do prazer.
O bem virou mal.
O mal virou bem.
Houve uma inversão.

O mais belo se tornou o mais feio; e o mais digno se transmudou em vergonha; e o grito de gratidão pelo prazer—“Esta afinal é minha carne!”—passou a ser algo acerca do que a alma precisava se dês-culpar...e se ter muita parcimônia.

Assim a vida humana é culpa...
Culpa de ter nascido...
Culpa de gostar do que se diz que não se deve gostar...
Culpa de amar a quem está proibido...
Culpa de ser amado e não corresponder...
Culpa por não se fazer amar...
Culpa por não ter conseguido chamar de amor àquilo que um dia se pensou que era...
Culpa de não ser compreendido...
Culpa de ter gerado filhos...e não conseguir controlar os seus destinos...
Culpa de possuir...
Culpa por não conseguir possuir...
Culpa de não ter sucesso...
Culpa de ter sucesso...
Culpa de se ser feliz...
Culpa de ser infeliz...
Culpa de não alcançar as expectativas projetadas...
Culpa da honra, da desonra, da cobiça, do poder, da fraqueza, do desejo, da inapetência, do orgulho, da cobiça, da falência, culpa...de ser.
É da culpa que vem todo o resto...vergonha, medo, fuga e, sobretudo, o medo-fobia da morte.
Culpa e Medo são a antítese de Graça e Paz!

A psicanálise pode ajudar muito no problema da culpa, identificando-a como neurose e ajudando o indivíduo a diminuir a carga de seu existir...
Mas somente quando se toma consciência de que Jesus se fez pecado, culpa e vergonha por nós...é que se está no caminho da libertação da culpa...a fim de que se vá aprendendo a viver sem ela...até que se entre na Paz.

A psicanálise faz o melhor caminho que a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal pode fazer com os recursos que a ela estão disponíveis no Éden...
Digo, quase todos os recursos, pois há um, o único, que a psicanálise não pode ainda perceber...ou o percebe...mas o simboliza demais, esvaziando assim o seu poder real e eficaz.

No Éden Deus cobriu o homem e a mulher com vestes de pele de um animal...roupas de sangue...sangue de outrem.
Freud não era o segundo Adão!

Somente no Segundo Adão, e em Sua obra Consumada aos olhos do Criador quando se fez pecado por nós, é que a culpa pode cessar por completo.
Somente quem crê que Deus aceitou como Consumado tudo o que o homem devia a Ele; e crê que o Primeiro Crente é Deus, pois Ele creu no Sacrifício de Cristo; e crê que se Deus Aceitou a Cristo, então quem o aceita, aceita aquilo e Aquele que por Deus foi aceito no lugar de todos os homens—Sim, somente este ser humano vai começar a entrar na Paz!

Aos olhos de Deus o pecado foi aniquilado na Cruz, conforme a Epístola aos Hebreus.
Os pecados que faziam separação entre nós e Deus foram de todo removidos.
Por isto, todo aquele que invocar o Nome do Senhor será salvo.
Ora, essa salvação não é apenas um passaporte para a eternidade. Ela é sobretudo uma certidão de libertação da culpa, da vergonha e do medo...inclusive o medo da morte.

É sem culpa que nós temos que tratar dos nossos pecados. Pois com culpa apenas os aumentaremos e os fixaremos mais profundamente em nós...como “pecados próprios”.
Eu preciso não ter pecado para começar a pecar cada vez menos!
Somente aquele para quem toda condenação já foi cancelada é que pode começar a andar de modo a não se condenar tanto...e assim, pecar menos, pois a condenação apenas nos faz pecar mais e mais...
Santidade é o estado de todo pecador que vive sem culpa, por que creu na Graça que é maior que a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal.

Esses, os que assim creram, desistiram da tal Árvore exatamente no momento em que admitiram que a salvação é pela fé.
Inverte-se a ordem gnóstica.
Não é o Conhecimento que gera a Fé. É a Fé que gera um Conhecimento em Fé, que é um Conhecimento que se assume como Fé na Graça, e que se entende como sendo também Graça...e não auto-desenvolvimento.
Aqui está a esperança para se crescer para além de todas as neuroses...embora este seja um caminho estreito...e poucos acertam com ele.

Ele é estreito para o Conhecimento, mas é tão largo quanto a Fé; isto para quem crê!
Quem crê não será confundido...nunca mais!

quarta-feira, 5 de junho de 2013








SERÁ QUE DEUS SENTE SAUDADES DOS DINOSSAUROS?

Raramente vi ou vejo alguém questionando a existência do homem.
Parece que é normal que haja o homem; e que um Universo sem homem seja um nada; e que tudo quanto tenha havido antes do homem não teve sentido; ou que tudo o que venha a existir depois dele — caso o homem aqui não esteja ou não mais seja — também exista sem significado.

Sim! Para o homem, até Deus sem o homem não tem sentido, posto que quem dê de fato — na visão mais honesta do homem — significado a Deus, seja o próprio homem.

Ora, se até Deus precisa se fazer Significativo em razão do homem, pois, entre Dinossauros a Existência Divina devia ser um porre — então, havia anjos, mas, na visão dos homens, os anjos eram uns seres de aplauso, umas criaturas de contemplação, um auditório universal, um Estádio lotado para ver a glória.
Os anjos seriam um solene e divinamente robótico cordão de puxa-sacos eternos.

Assim, com o homem, com sua divina criação, Deus se torna adulto e ganha Sentido. Porém, sem homem, Deus é um desperdício.
É isto que os homens devotos sentem; e é isto, por exemplo, que o Cristianismo ensina, ainda que com bela e invertidas palavras, mas que transmitem este espírito por mim aqui descrito até aqui.

Então, como o Deus de Deus é mesmo o homem, surge a Teologia [a Filosofia, a Psicologia, e todas as Ciências vieram como decorrência], sendo que durante os últimos 1700 anos a Teo-logia, o estudo de Deus, era quem tinha o Direito Canônico de dizer como Deus ficaria melhor frente às novas demandas dos tempos, conforme a necessidade humana, ou dos reis, ou dos políticos, ou, sobretudo, conforme a necessidade de mutação de Deus de acordo com o capricho ou a ganância da “igreja”.
Então, com tamanho poder humano, Deus vai sendo redefinido pelo homem.

Deus gosta de ritos, dizem os sacerdotes. Mas não existem anjos.
Deus gosta de disciplina e moral, mas detesta gente que não tome banho antes de dormir.
Deus ama quem socorre aos pobres, mas acha tolice ficar fazendo orações.
Deus só se revela a quem sabe ler, pois, afinal, a Bíblia é a escrita Palavra de Deus.
Deus sabe quem vai se salvar e quem vai se perder, por isso é que ele me fez nascer no Ocidente da Terra, pra não perder tempo.
Deus não vão perder tempo com tudo, por isto Ele deixa uns mortos de boa vontade vagando pelo mundo, para ajudar os que precisam.
Deus é poderoso demais para precisar de anjos, por isto, anjos não existem.
Deus não vai ser injusto comigo, que neguei todos os meus desejos e volúpias, e no final salvar a todo o homem. Por mim o inferno tem que existir cheio dos outros que não fizeram como eu.

Se a gente for ver o que define a maioria das convicções das pessoas sobre Deus, o que sobrará é basicamente o seguinte:
Deus é a melhor conveniência do culto do homem a si mesmo, usando a idéia de Deus apenas para dar a si mesmo a segurança do Deus que, sem o homem e sem ser para o homem, não teria nenhum significado.

É um Deus quantificado...

Por isso a maioria diz com toda pureza que “crê muito em Deus”.
Ora, esse era o “Deus” que Nietzsche disse que morrera.
Mas, infelizmente não morreu ainda...
Aliás, esse Deus somente morrerá quando Jesus voltar.
Até lá, enquanto o homem se achar o Significador da Existência, 

Deus existirá como concessão do homem, que dá a Deus o poder de ser o Todo-Poderoso que era Quem era, mas que não tinha o que fazer antes de haver homem.
Assim, o homem é o Personal de Deus!