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quarta-feira, 15 de julho de 2015

A MENTE E OS CAMINHOS QUE DELA PROCEDEM




Há dias e dias; assim como há temporadas boas e más. Há tempos de ventos contrários e estações de ventos a favor.

Em geral, no entanto, os tempos são feitos das intensidades de material existencial que oferecemos; e carregam marcas comuns a eles.

Há ocasiões em que tudo é saúde.

Mas a saúde é silenciosa como silencioso acerca de si mesmo é todo corpo sadio.

Há ocasiões em que tudo dói.

E dói em muitos à nossa volta, como se pelo vínculo e pela proximidade de coração, as dores de um se encadeassem às dos demais, e, assim, sem padrão de identificação de algo comum nos detalhes, surge, todavia, algo comum no geral, que é a estação de dores diferentes embora existindo compartilhadas.

Há pessoas, no entanto, que vivem essas estações de modo inconscientemente deliberado.

Ora, como pode algo ser inconsciente e ao mesmo tempo deliberado?

A deliberação do processo inconsciente acontece à revelia do desejo confessado do indivíduo; pois, nesses casos, para fora, mediante o uso da consciência como expressão “de palavra” falada, o que se diz é que “se teme tais coisas”; porém, o processo inconsciente responde ao temor (que no caso é a pulsão prevalente); e demonstra que não intenta obedecer ao medo confessado; antes o abraça como elemento a ser processado e devolvido ao consciente como invocação do temor como calamidade confessada com a boca; e muitas vezes repetida em palavras, tanto quanto também encenadas, de tal modo que “o script” passa a existir como energia solta e pegajosa do lado de fora, atraindo os idênticos ou os predadores daquele estado de espírito (isso de um lado da situação que descrevo).

 Porém, no lado de dentro (o outro lado), o inconsciente convence a pessoa acerca de que ela é aquilo que teme; e, portanto, faz a pessoa se candidatar a conhecer aquilo que diz ter pavor de encontrar; ao mesmo tempo em que assim o faz em razão daquele estranho sentimento infantil que leva a criança a amar morrer de medo e de assombração, enquanto chora de pavor e pede mais... — na idade adulta, esse antigo sentir tem seu similar, o qual cria aquilo que na infância é somente fantasia masoquista de quem está tão fascinado pelo medo, que prefere sofrê-lo a não conhecer as proximidades do mistério que ele promete como pavor. 

É uma pulsão da Árvore do Jardim onde a Serpente assombrava e fascinava. Entretanto, em adultos, o que na criança é gozado, se torna monstruoso nos estragos que provoca.    

Assim é que existem as estações da vida em que aquele que tem medo enfrentará seus temores em razão da deliberação do inconsciente de não deixar de atender ao pedido de mais assombração, ainda que se chore dizendo que não se quer mais...

— “Chega!!!!!!!! Mais... mais... não, não, chega, ah, mais...”.

Muitas vezes as agendas das dores se encontram em estações que se tornam subitamente comuns para muita gente que se ama entre si; e nessas ocasiões o amor tem que encontrar todas as soluções da presença que precisa se multiplicar na mesma qualidade e conforme a relação; e isto entre muitos.

Entretanto, até aqui tudo bem. Afinal, o que me preocupa dizer é que há pessoas que atraem toda sorte de calamidades e sempre conforme o medo delas.

Mas aquele que anda sem medo em razão da sua confiança total no amor de Deus por ele, esse atrai tudo que é bom.

Medo e fé são os pavimentos de todos os caminhos humanos, e a jornada vai se tornado conforme o chão de pensamentos no qual se pisa.

O caminho do homem acaba sempre por tomar a forma de seus pensamentos e sentimentos. E quando o mesmo espírito negativo ou positivo se torna comum a uma família ou a um intimo grupo de pessoas, às vezes surge um processo de intercomunicação coletiva inconsciente, e o resultado é um surto em cadeia da mesma qualidade do que seja prevalente no espírito comum.

Desse modo o caminho pavimentado com fé sempre será promotor de uma jornada de aventura e de venturas, mesmo quando dói ou doer.

Mas o caminho daquele que o pavimenta com medo, será sempre feito de areia movediça, buracos, covas perigosas, despenhadeiros, e muitas conspiração adversária na jornada do individuo que também vai se tornando paranóico.  

Assim, mais do que nunca o essencial é ter-ser-fé.

Ter fé é muito bom, mas pode ser mais.

Ora, esse “mais” acontece quando a qualidade da fé evolui para a dimensão do ser, de tal modo que o homem deixa de ter fé e passa a ser um ser da fé e em fé, e isso de modo tão simples e singelo que se torna algo como respirar.

O fato é que uma boa mente, cheia de fé e da alegria do Espírito Santo, altera tudo, a começar do próprio cérebro, que é estimulado em áreas que secretam todas as melhores substancias químicas promotoras de bem estar e coragem.

Além disso, o próprio sistema imunológico passa a estar mais pronto para o combate micro-biótico.

No entanto, no tocante às emoções, aos afetos, e, sobretudo, aos processos psíquicos, uma boa mente, lotada de tudo o que é bom e puro, de tudo o que é louvável e de boa fama, de tudo o que edifica e promove a paz, torna-se o agente humano mais profilático que se possa conhecer; sendo, portanto, em tal caso, justa a afirmação que deveria dizer: “Mente sã, corpo são”; e isto muito mais corretamente até do que universalmente se popularizou dizer, que é: “Corpo são, mente sã”.

Sim! Porque o processo não é somaticopsíquico, mas sim psicossomático.

Cuide de seu humor, de sua atitude; e não negligencia a alegria e a esperança. Pois, é pela fé alegre, pela esperança rica, e pelo amor simples, que o chão de nosso caminhar pode ser pavimentado, e em tal pavimento não há tropeço, posto que nele, até quando se cai já se cai nos braços do Pai e dos irmãos.

Este é mais um convite da Graça!

Você vem?

terça-feira, 7 de julho de 2015

O homem preso na Armadura


O livro conta a história de um cavaleiro que acaba ficando preso dentro de sua armadura, e se distanciando da família e dos amigos. Com o passar do tempo, tornou-se obstinado pelo trabalho de salvar donzelas indefesas de dragões malvados; para ele a única coisa que importava era o trabalho, para poder manter o seu castelo e sua família sempre abastados.
Um dia, sua mulher Juliet, reclama que ele está se tornando um ser ausente em sua família, que o filho Christopher tem como única imagem do pai um retrato na parede. Com isso ordena-lhe que opte entre tirar de uma vez por todas a armadura ou perder sua família, pois ela partiria com o filho para a casa de parentes.
O cavaleiro obviamente escolhe a família, mas para assombro seu não consegue livrar-se da armadura. Recorre ao ferreiro do reino, a quem pisa acidentalmente o pé, este irritado desfere-lhe uma marretada em direção a amadura, mas nem mesmo isso foi capaz de ferir o cavaleiro ou mesmo desmanchar a armadura de aço, que sequer arranhou-se.
Desesperado, a nossa personagem recorre à ajuda do mago Merlin, que vive num bosque distante. Merlin resolve ajudar. Depois de ter suas forças restabelecidas pela ajuda do mago, de Esquilo e Rebecca, o cavaleiro pergunta a Merlin como se livrar da armadura de aço em que se encontrava preso, o mago então diz que só há um meio: percorrer a Trilha da Verdade, um caminho árduo e cheio de desafios pessoais.
Durante a trajetória, o cavaleiro tem de passar por três castelos: o do Silêncio, do Conhecimento e por fim o Castelo da Vontade e da Ousadia.
Em cada um desses castelos ele vai refletindo cada vez mais sobre sua vida e permitindo que seus sentimentos fluam. Á medida que vai se autoconhecendo e tornando-se mais afetuoso, sua armadura vai se desmanchando. Ao final do livro, nosso personagem aprende uma valiosa lição: de que o bem maior que ele poderia ter não são os bens materiais, mas sim sua família, seus amigos, e o amor próprio. De que não se deve apegar a coisas superficiais.
Ao final, descobrimos que o tal cavaleiro não era uma pessoa presa na armadura de aço lustroso, mas sim um sentimento: o amor.
O livro é realmente espetacular, Fisher encontrou um meio muito criativo, descontraído e gostoso de ensinar uma valiosa lição. O texto desta fábula é puramente filosófico – uma filosofia de vida.
Ao longo de nossa vida vamos blindando-nos dentro de uma armadura, censurando nossos sentimentos, e nos tornando cada vez mais obstinados pelo nosso serviço. Ferimos àqueles que nos cercam sem nem ao menos perceber, tornamo-nos insípidos, esquecemo-nos de viver. Fugimos a trilha da verdade e da justiça, procurando caminhos mais fáceis e agradáveis de percorrer, porém, esses caminhos levam-nos a um abismo sem fundo, do qual raramente conseguimos fugir – o abismo da solidão. Enquanto que, o caminho da verdade e da justiça nos leva ao topo de uma montanha de felicidade, fé, amor e prosperidade verdadeira.
Estamos tão preocupados com o que os outros pensam de nós, que acabamos nos tornando homens de lata, frios e calculistas, preocupados apenas com a imagem. Deixamos de nos preocupar com o que pensamos de nós próprios.
Cada um de nós deve observar seu interior suas próprias armaduras, suas couraças formadas pelo tempo. E você que acompanha esta fábula já parou para observar o seu interior? Quais são as suas defesas?
Lembre-se " Sem armaduras a vida é leve e simples".

segunda-feira, 25 de maio de 2015

A PEDAGOGIA DA DOR


As dores existenciais são uma realidade com a qual todo ser humano tem que conviver na sua trajetória de vida. Alias é evidente que cada pessoa tem a sua própria estação, os seus próprios dissabores.
No entanto as dores de um se encadeassem às dos demais, e, assim, sem padrão de identificação de algo comum nos detalhes, surge, todavia, algo comum no geral, que é a estação de dores diferentes embora existindo compartilhadas.
Assim é que existem as estações da vida em que aquele que tem medo enfrentará seus temores em razão da deliberação do inconsciente de não deixar de atender ao pedido de mais assombração, ainda que se chore dizendo que não se quer mais...
É no contexto da agendas das dores que se identifica “Os Cinco Estágios do Luto” (ou da Dor da Morte, ou da Perspectiva da Morte):
Negação e Isolamento: "Isso não pode estar acontecendo.";
Cólera (Raiva): "Por que eu? Não é justo.";
Negociação: "Me deixe viver apenas até meus filhos crescerem.";
Depressão: "Estou tão triste.”; Por que me preocupar com qualquer coisa?"; e
Aceitação: "Tudo vai acabar bem.".
O principio é aplicável a toda forma de rompimento grave: Divórcios, perda de emprego, luto por um ente querido, etc. Kübler-Ross sustenta que estes estágios nem sempre ocorrem nesta ordem, nem são todos experimentados por todas as pessoas, mas afirmou que uma pessoa sempre apresentará pelo menos dois.
O fato é que algumas pessoas imergem no estágio de luto e não conseguem submergirem sozinhas, porquanto aprenderam a conjugar o verbo sofrer como algo comum a sua existência